Ir para conteúdo

Na cabeceira: aLagarta, agora impressa

Fotos:
|
Texto: RIOetc

_DSC2328 ok _DSC2347 ok

Fotos: Juliana Rocha

[Vivian Melchior]

Lá em 2010, quando Carol Lancelloti terminou sua graduação em Moda, teve a ideia de montar uma revista digital. Ela trabalhava como fotógrafa (área em que ainda atua, além de ser co-diretora criativa da revista) e até tinha seu estúdio, mas não queria fazer mais do mesmo – books de festas de 15 anos, casamentos e eventos. Dando ouvidos a sua voz artística interior, criou uma proposta inusitada e, até então, inovadora no Brasil: uma revista feminina colaborativa que focasse, principalmente, na liberdade criativa.

“Eu não queria que fosse um blog, gostaria que fosse um editorial de mais qualidade: que fosse preciso produzir de uma forma mais calma, com criação e pesquisa – o conteúdo não seria puramente comercial”, conta Carol. Ela não precisava de mais nada para começar: juntou alguns amigos para ajudá-la, e assim surgiu aLagarta.

O primeiro editorial foi todo feito na base da amizade, com peças de acervo – doados ou emprestados. Nessa hora era tudo bem-vindo – e até hoje o espírito continua o mesmo: afinal, como não usar uma peça Yves Saint Laurent, especialmente aquela antiguinha, se alguém tiver disponível? aLagarta se posicionou como uma revista desde o início, inclusive no layout horizontal. Na 2a edição entrou o Leo, que virou co-diretor criativo, junto com a Carol. Ele cuida da parte de design e arte, enquanto ela toma conta da parte textual e de fotografia. Hoje eles já têm 18 pessoas fixas na equipe (!).

Ao longo de 5 anos, a revista funcionou no formato digital com lançamentos trimestrais – 4 edições por ano. Agora, aLagarta quer se tornar impressa. Muita gente se pergunta por que querer sair do virtual em um mundo cada dia mais digital. A resposta está justamente no tema que eles escolheram para essa primeira publicação offline: solitude. Estamos a cada dia mais conectados e, ao mesmo tempo, distantes de nós mesmos – fora dos acontecimentos do aqui/agora. Para o universo criativo e artístico, esta problemática se torna muito latente, afinal é preciso estar consigo para criar. Como conseguir produzir estando 24 horas por dia conectado no Facebook e no Instagram? Pensando em tudo isso, surgiu a proposta da próxima edição.

Sim, é tudo maravilhoso no mundo das ideias, mas para que esse sonho possa ser concretizado, aLagarta precisa da ajuda de todos nós. Para viabilizar esse projeto, eles estão com um financiamento coletivo no Catarse (clica aqui e corre que só faltam 15 dias!). Vale lembrar que é tudo ou nada – se não atingirem o valor esperado, o dinheiro retornará aos doadores. Além disso, a distribuição de lucros será transparente: eles vão cobrir o custo de produção e direcionar uma parte para uma causa social que já estão apoiando – um projeto de dança no Morro do Alemão. Depois das vendas, o lucro será distribuído igualmente para a equipe, ninguém ganhará mais do que ninguém.

Podemos esperar para essa 21a edição um retorno ao analógico de forma consciente e sustentável. A ideia da solitude vem também desse encontro de estar com a revista nas mãos, sem precisar de um computador. Quer coisa melhor do que ter essa experiência de sentir o cheirinho das páginas de uma edição novinha em folha? aLagarta precisa da sua ajuda para se tornar palpável e se consolidar como fonte de pesquisa para qualquer um que se interesse por arte, design e fotografia.

Comentários