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João do Rio recebe ‘Pactos de Intimidade’

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

Nascida em Campinas (SP), Mariana do Vale foi criada em Natal (RN). Formada em Jornalismo – “uma espécie de equívoco” -, aproximou-se da fotografia, com a qual ainda mantém uma forte relação comercial. Num mestrado na Espanha, encaminhou-se para a arte. A partir do dia 3, ela apresenta no Espaço João do Rio seu “Pactos de Intimidade” – exposição que reúne algumas da obras do seu trabalho de conclusão do mestrado em Artes Visuais da EBA/UFRJ -, e que marca o “mergulho definitivo na arte como lugar de fala”, afastando-se da Comunicação Social.

“Desde os primeiros exercícios, o meu método de trabalho entende meu corpo como ponto de partida”, conta Mariana. “Comecei trabalhando com autorretratos e narrativas que partiam de memórias pessoais. O próximo passo foi experimentar ações que testavam os limites físicos do meu corpo, talvez numa tentativa de criar também intimidade com esse corpo que carrego. Daí, passei a me interessar sobre o meu íntimo interior, como uma espécie de contraponto”, explica. Neste passo, distanciou-se do corpo físico e se aproximou de materiais como farinha de osso, areia e carvão, para falar de corpo, tempo e desejo.

Corpo, pele, memória são o foco de sua pesquisa. “Falo o tempo todo de intimidade. Nesse trajeto tenho encontros interessantes que me levam a entender que há no corpo dois tipos de intimidade possíveis: a que construímos com o outro e a que carregamos dentro de nós. O que me instiga então é entender o que o nosso corpo conta sobre nós. E para isso tento entender também onde meu corpo toca por ser um corpo jovem, pardo e de mulher”, conta. “Em seguida, curiosa por entender como se dão as possibilidades de construção da intimidade entre as pessoas, comecei a pensar ações íntimas em que convido artistas para realizar ações em ambientes íntimos sem público”.

A exposição, que conta com curadoria de Lara Ovídio, reúne obras que resultam dessas ações íntimas. Mariana explica que disponibilizou seu corpo para que as artistas respondessem a questionamentos como violência sexual – retratados na obra “Fissuras” – e construção de intimidade a partir do corpo. As obras “Banho”, “Confissão” e “Adentro” são resultado dessas ações, que falam também sobre invasão e violência.  A expo traz ainda alguns textos que tratam das questões da construção do nosso próprio íntimo, sempre atravessado pelo outro: os textos poderão ser arrancados e levados.

“Pactos de intimidade fica no Espaço João do Rio até dia 21 de Julho. O horário de visitação é de 10h às 21h, de segunda a sexta, e de 10h às 17h, aos sábados.

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