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João do Rio recebe Leonardo Ventapane

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Leonardo Ventapane, carioca de 39 anos, cresceu perto do mar e fez dessa relação de intimidade com um ambiente imenso um dos temas de sua pesquisa como artista visual e professor.

Quando cursava o doutorado em artes visuais (2009-13), as imensidões dos desertos – dos oceanos, dos Pólos, ou dos desertos de areia mesmo – estavam no centro de seus trabalho. Para isso, foi ao Atacama, desenvolveu um trabalho à distância em parceria com uma cientista da Estação Brasileira na Antártida, aprendeu a escalar e rodou por aí de barco. “Como isso se desdobra em prática artística (porém) é sempre um desafio… driblar as amarras teóricas, ou fazer delas trampolim para colocar sua cabeça para funcionar de outro modo”, diz Leo, que a partir daí expandiu suas abordagens para além da fotografia e do vídeo.

Passaram-se cinco anos desde a conclusão do curso. Mas, como define o artista, “ainda me vejo compreendendo sutilezas que eu talvez estivesse próximo demais para enxergar”. E completa: ˜Por mais que a gente corra pra lá e pra cá, a gente não foge da gente”. Atualmente, ele ocupa o Espaço João do Rio (dedicado à experimentação artística, nos fundos da loja do RIOetc) com a exposição “Quando quer, o mar fica contente”.

A ocupação tem como título uma frase de Victor Hugo. “Mas poderia ter sido dita por Jorge Amado ou por um pescador. É uma frase de intimidade com o mar que ressoa nesse duplo sentido de imensidão interna e externa, nos humores que a gente identifica no mar, mas que no fim das contas dizem de nossos próprios humores, de nossas flutuações, de nossa capacidade de absorver e de ser tolerante ou violento com as coisas”, diz.

Além da instalação, das pinturas e do vídeo com que ocupa o espaço, Leonardo tirou partido da claraboia que ilumina o local, cobrindo-a com uma película translúcida que durante o dia inunda de azul todo o espaço, criando uma outra ambiência, na tentativa de “colocar as pessoas que chegam ao espaço da galeria em um outro tipo de excitação, um outro tipo de ritmo” diferente daquele com que percorrem a loja. As fotos que ilustram este texto não têm qualquer tratamento que realce essa sensação Depois das 17h, quando a luz natural cai, a experiência de visitação é totalmente distinta.

Assim, fica o convite: venha não apenas uma vez, mas duas, em horários diferentes, para conhecer o trabalho de Leonardo Ventapane. A exposição, que tem coordenação de Rodrigo Westin, fica em cartaz até dia 6 de junho, de 10h às 21h. Largo dos Leões, 81C – Humaitá. Em breve haverá uma conversa com o artista, em data a ser definida.

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