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“Ser mulher negra no mundo da música é ser a música.”

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

@djtamyreis

Quem veio no evento de inauguração da nossa tão esperada loja teve o prazer de ouvir o som da DJ Tamy. Carioca de Parque Anchieta, o interesse pela música veio desde novinha e cheio de incentivos: do pai, que colecionava CDs e DVDs, da mãe que tinha o sonho que ela fosse musicista e dos amigos que já a consideravam DJ quando ela chegava nos encontros com as novidades do hip hop. “A música me move muito, a energia de troca… O som só sai maneiro quando eu vejo que tem uma galera querendo ouvir, dançar, curtir. Essa é a minha inspiração pra fazer um set bacana”, conta Tamy.

Os sets, aliás, não chegam já prontos nos eventos. “Eu estudo, ouço as músicas, paro e analiso músicas que eu acho que têm a ver com o local. Na hora de tocar, eu sinto o clima do evento pra fazer o set. O meu momento de inspiração pra criar set é ouvir música o tempo todo.” E foi assim que a DJ foi ganhando seu espaço no meio musical carioca. A habilidade de transitar entre o eixo Zona Norte e Zona Sul foi um diferencial. “Eu acredito que o Rio de Janeiro é um celeiro de talentos, musicalmente falando. Aqui a gente respira o samba, as músicas do subúrbio, o funk. E a cena de DJs é forte hoje, mais mulher tocando. Toco há 10 anos, mas de um tempo pra cá que a galera entende mais meu trabalho. Eu tô em espaços onde não era comum ter uma mina preta trampando.” Inclusive, ser mulher e preta, seja no meio profissional ou pessoal, nunca foi fácil. Principalmente em uma profissão onde a maioria é homem ou branco. “Racismo eu já sofri no meio também, mas eu não exponho muito isso. Ser mulher negra no mundo da música é ser a música, porque se você parar pra analisar o que a gente mais toca é música preta. Não é só o jazz, blues, rap, R&B que é musica preta. O house tá aí e é música preta!”

Sobre racismo, assunto da nossa série #sobreserpreto, Tamy aposta todas as fichas na educação. “Ninguém nasce racista, as pessoas se tornam racistas. Pra essa situação mudar, não adianta, é educação. A gente vê no nosso país nitidamente que classe social não difere a educação da pessoa. Educação vem do lar, de quem são seus mentores, quem está acima de você. E eu acredito que, pra eliminar o racismo, a gente precisa educar melhor os nossos, entender, explicar que não existe diferença, que ninguém é melhor do que ninguém. Tem muita gente que fala que ele não existe, que é bobeira. Só quem sente na pele que sabe a dor, quem não sente não sabe.”

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