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Deu match: Heavy Baile + ÀTTØØXXÁ

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

Sabe aquele casamento que de tão perfeito você já consegue imaginar a casa com piscina, um cachorro e três filhos? Pois é assim com o coletivo carioca Heavy Baile e os baianos do ÀTTØØXXÁ. A paquera que começou há mais de um ano, desenrolou em um casamento em fevereiro no Circo Voador e amanhã acontece a lua de mel, no Festival Rider #DáPraFazer. Pros cariocas, o Heavy Baile já é um nome forte. Nascido de um projeto do Leo Justi, DJ e produtor musical, o HB é um coletivo que mistura o funk com eletrônico. Logo chegou MC Tchelinho pra dar voz ao baile e o coletivo – que ainda conta com dois dançarinos que roubam a cena nos shows – não parou mais. A história é muito próxima da do Rafa Dias que começou o ÀTTØØXXÁ, só que, ao invés do funk, a mistura do eletrônico é com o pagodão baiano. Ele juntou OZ, Raoni Knalha e Chibatinha pra fazer esse groove baiano que já teve até música gravada pelo Psirico – já ouviu Popa da Bunda, né?

Entre gírias baianas e cariocas não compreendidas, conversamos com os “pivetes” pra saber o que mais esperar desse casamento.

Os dois surgiram de um mesmo movimento de união da música local com o eletrônico. De cara deu match? 

Rafa: Eu sempre tive a visão que existe uma comunhão de pensamentos que tá rolando no ar e a galera vai pegando, cada um com sua forma de captar e transformar isso em música. Chegou um momento que eu vi o próprio Heavy Baile no Rio, o Chico Correa na Paraíba, o Baiana mesmo na Bahia e percebi que tava rolando essa sincada de pensamento. A música sempre esteve aqui rodando, a gente que tá captando. Sinto proximidade não só com o funk, mas com tecnobrega e a bregadeira lá de Recife. E todo lugar que você vai, percebe que é a mesma parada, de alguma forma um pouquinho diferente, cada um com seu sotaque. Em alguns países isso se restringe a uma música só.

Leo: O pagodão é o 130 na metade, 65 BPM na verdade. É um suingue diferente, mas dá pra casar muito. Os universos conversam. Eu não conheço muito o background que levou o Rafa a fazer o som eletrônico com pagodão que ele faz, mas a gente dialoga em mil aspectos de como produzir, dos sons. Eu não conheço muito os ritmos populares de lá, mas eu sei que a base é essa, assim como o funk e o samba influenciam o que eu faço. Eu conheci o Rafa em um Heavy Baile em SP e eu vi em um vídeo da BATEKOO um som que achei foda e descobri que era dele. Foi aí que começamos a trocar ideia.

Rolou resistência do público raiz do funk e do pagodão?

Leo: Tem uma galera que tem ódio mesmo. O funk foi criando braços muito mais pop, que ajudou o funk de favela a ganhar espaço. Até a Anitta que no começo não se colocou como funk, mas que volta e meia rola uma associação, porque em alguns shows ela toca e nas festas da playboyzada também sempre tocou. A parada vem ganhando, crescendo e acho que sempre existe um ódio a qualquer parada diferente do que as pessoas estão acostumadas. Vai ter elite que vai odiar porque é pobre e preto, vai ter roqueiro que vai odiar porque é roqueiro. É infantil, mas tem gente que cresce e não perde. Tem bastante ainda, mas tá crescendo e melhorando. Domingo passado estava tocando na rua em Madureira, fazendo meu set mais pro club, eletrônico e chegou um maluco pedindo um tamborzão mesmo e no seguinte eu coloquei e a galera amou, mudou o clima. Então rola realmente essa diferença. Na Cruzada, de onde o Techelinho vem, fizemos duas tentativas, e muita gente estranhou a música, porque tava esperando o funk.

Tchelinho: Muita gente chega pela primeira vez no Heavy Baile e não sabe o que vai encontrar e acha que vai ser bailão. Aí ele escuta “Cheguei no Pistão” numa base eletrônica e então a gente se liga em quem tá curtindo ou não. O Leo sempre me falou muito isso: fazer o que já existe a gente faz na boa, mas eu não quero isso. E eu por ser do gueto também, sempre vinha muito com essa ideia de deixar a base mesmo do funk e foi uma conversa entre a gente. Eu dou pra ele o que ele não tem e vice-versa.

Leo: E foi importante, levar em consideração essa massa, o que a galera quer. Eu iria pra um caminho mais original e o Tchelinho trazendo o que tá bombando.

OZ: Nossas histórias se encontram aí, porque é esse mesmo pensamento que rola com a gente, que aconteceu comigo e Chibatinha. O Rafa chamou a gente do Pagodão e eu sou mais guetão mesmo. A gente tem que ter o termômetro do gueto e da galera. A primeira vez que tocamos no Engenho bateu, demos sorte da galera abraçar. A gente ainda consegue conversar com o gueto, underground. Conseguimos isso lá.

Raoni: E depende muito de onde você toca, no Pelourinho, por exemplo, é rua, né. O público mistura muito.

E quando é que essa dobradinha vai pra Salvador?

Geral: Aaaaaah!

Tchelinho: Eu tenho o sonho que é tocar na Bahia. Não sei nem se o Leo lembra, mas sempre falo que a Bahia deve ser foda. O Heavy Baile nunca tocou lá. E o Pelourinho foi onde nasceu o Brasil. O funk carioca chega lá?

Rafa: Ah chega! Quando a galera viu que ia rolar aqui, você não sabe o que choveu de inbox falando do Heavy Baile. Então quando rolar já tô até vendo.

Música juntos? Queremos pra já!

Leo: Mandei uma melodia e um base pro Raoni e ele fez uma letra foda. Agora temos que produzir. E o Rafa deve produzir junto, então vai nascer a primeira aí.

Rafa: E eu já tenho outra parada pra mostrar pra vocês aí…

O Festival da Rider rola amanhã (17/03), no Largo Alexandre Herculano, no Centro, e, além dos meninos, ainda rola muita atração imperdível. Se liga no evento! Em maio, eles ainda dividem o palco no Bananada, em Goiânia, e, pelo visto, não demora muito pra gente sair por aí dançando ao som de uma parceria. Pega a visão!

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