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Carne e coração de carnaval

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Roberta Espinosa fazia teatro, aos 16 anos, e foi atuando como atriz que começou na música – ou seja, palco é com ela mesma. “Quando pisei no palco tive a certeza de que era meu lugar e nunca mais saí. O fato é que eu era chamada pra cantar o tempo todo em todas as peças que fazia. Eu chegava a dublar pra outros atores as músicas”, lembra.

Logo depois, aos 18, começou a fazer isso profissionalmente, em hotéis com piano bar. Em paralelo, fazia um trabalho autoral chamado Bela Perdida.

O carnaval entrou em sua carreira por acaso, um ano depois. Ela andava apaixonada pela Lapa – quem nunca? -, e passou diante de um bar aberto pouco tempo antes. Entrou e perguntou se precisavam de uma roda de samba. Ouviu um “sim” animador. E, mesmo sabendo – até aquele dia – não mais do que três sambas, encarou o desafio. Montou uma roda com a ajuda de uma prima e começou. Hoje é a voz feminina que sobe no trio elétrico do Monobloco e canta para uma multidão. “Sou muito grata ao samba, foi ele que me abriu todas as portas”, diz, lembrando de um momento marcante na carreira de qualquer cantora: dividir o palco com Elza Soares. “Fiz uma temporada com ela no show Tulipa Negra”, conta.

Além de saracotear pra lá e pra cá, Roberta ainda se divide numa tarefa pra lá de especial, criar os dois filhos, de 2 e 4 anos. “Os filhos vão se adequando à vida das mães e vice-versa. Na minha história, as mulheres são muito presentes. Elas que me dão todo apoio, minha mãe,  minha madrasta, minha irmã, minha ex-sogra, a Lina e a Patricia. Elas são muito essenciais, por isso que eu ando pelos sete cantos tranquila pra cantar, por conta desse apoio feminino”, agradece a cantora, que levanta a bandeira do feminismo (“eu venho de uma família de mulheres que foi muito castigada pelo machismo”) até mesmo no carnaval. Sua atual roda, formada apenas por meninas, chama-se Afrodite. “É a força da deusa que existe em cada uma de nos brilhando para o mundo”, diz.

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