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Baiana System em: Os ímpares

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

[Vivian Melchior]

Baiana System, Bahia, 2006. Pedro Sorongo, Rio de Janeiro, 1968. O que eles têm em comum? Têm batida, percussão, bambu, berimbau, eletrônico? Pois a série “Os Ímpares”de Henrique Alqualo, Isis Mello e produção musical de Berna Ceppas, tá sendo produzida com esse intuito: o encontro de gerações através da releitura de músicas dos anos 60 e 70 por artistas da cena musical contemporânea.

Fomos ao Estúdio Maravilha 8, em Botafogo, assistir a gravação da música de Pedro Sorongo interpretada pelo Baiana. Batidas, percussão, eletrônico e muito alto astral: esse foi o muito que pudemos sentir em tão pouco tempo. “O Pedro [Sorongo] tem uma relação ancestral, espiritual e de entrega com a música. A gente também vem desse canal de comprometimento e respeito com a música e esse momento integra um ciclo pra gente. É meio que uma dádiva receber esse presente de reinterpretar a Desengano da Vista, de Pedro”, conta Russo, vocalista do Baiana System – a banda que mais toca aqui no escritório do RIOetc, por sinal. “Das faixas do disco dele, essa era a que tinha mais presença pro nosso trabalho”, acrescenta.

A série, que tem lançamento previsto pro início de 2018 no Canal Curta!, conta com 10 episódios e artistas atuais como Criolo, Nação Zumbi, Emicida, Alice Caymmi, Tulipa Ruiz e Teresa Cristina, reproduzindo Jorge Mautner, Itamar Assumpção, Sérgio Sampaio, Di Melo e outros. “A gente teve essa ideia de fazer um programa sobre releitura há 5 anos . Convidamos o Berna, produtor, e passamos 2 anos estudando discos pra entender onde iríamos fechar. Eu e Henrique nos conhecemos fazendo o trabalho do Caetano Veloso, ficamos muito amigos e montamos esse projeto. Chegamos à conclusão que queríamos falar sobre os discos chamados “malditos” – não gostamos muito dessa nomenclatura, na verdade, mas é como chamam. Foram discos muito importantes, influenciaram muitas gerações de músicos mas, na época de lançamento, não tinham o sucesso esperado das gravadoras. São discos que a gente gostava muito de ouvir e que gostaríamos de mostrar pra uma nova geração”, conta Isis.

Nada mais atrativo para as novas gerações do que chamar artistas atuais para realizar essa releitura, concordam? “Respeitamos muito a melodia original da música. O projeto como um todo é muito bacana: são inúmeros outros discos nacionais e “obscuros” que não tiveram a oportunidade de ter o sucesso que mereciam na época. Não são Tim Maias que todos conhecem, por exemplo. Esse Lado B, pra mim, é a argamassa e a essência desse projeto. É como se agora reiterássemos os porquês da memória afetiva da música brasileira.”, finaliza Russo.

O Baiana System toca hoje no palco sunset do Rock in Rio. Pra quem não vai, resta aguardar o primeiro episódio de “Os Ímpares” e ouvir tudo de Baiana – e Pedro Sorongo, claro! – na internet.

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