Rio de Janeiro, 10|02|17

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[Texto e foto de Tiago Petrik, editor do RIOetc]

De todos os livros que o RIOetc já fez, este “volume 3″ sem dúvida teve o parto mais sofrido.

Primeiro porque lançamos um crowdfunding que não foi totalmente bem-sucedido, num momento em que a economia ia ainda pior do que agora. Tivemos que segurar um pouco a produção.

Quando tudo caminhava bem, fui viajar, e a Juliana Rocha ficou aqui tratando as imagens. Um belo dia, ela me liga pra dizer que TODOS OS DADOS do RIOetc tinham sido sequestrados por um hacker.

Nove anos de arquivos. Centenas de milhares de imagens.

Eu nunca tinha ouvido falar disso, nem as meninas. Resolveram me avisar só quando descobriram que a parada era braba mesmo: o prazo pra pagar o resgate estava expirando e a ameaça era deletar. Segundo a polícia e os entendidos que consultamos, não havia nada a fazer além de pagar o resgate (em bitcoins) e torcer para que o ladrão honrasse a palavra.

O processo de recuperação dos arquivos (pesadíssimos) durou semanas. Tenho a sensação de que fiquei todo esse tempo com a respiração presa.

Dois dias depois desse primeiro episódio começar, estava na Bélgica e tive todo meu equipamento fotográfico furtado. O material que eu adquiri com esforço ao longo de anos. Mas não praguejei: pra mim era muito mais grave perder as fotos que eu não poderia fazer de novo, as que estavam criptografadas.

Dois dias depois, levaram o laptop que me acompanhava na viagem, com as fotos que eu tinha feito até ali – e que naquele momento eram as últimas fotos que me restavam, já que os arquivos ainda nem tinham começado a reaparecer.

Por um momento achei que era um sinal (na verdade, três sinais!) pra que eu desistisse desse negócio de fotografia.

Por isso ver o livro ficando pronto renova todas as esperanças. É o mais lindo que já fizemos, de longe.

Já avisei pra todo mundo que o lançamento é dia 16/2?

PS: Encomendei uma câmera nova, com chegada prevista para esta semana. O volume 4 vem aí, algum dia. :)