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Uma aula com a professora Panda

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

@rosabasin

“Arrasa! Não tem palavra que define”. Um recurso bastante comum no jornalismo é começar textos com frases impactantes dos entrevistados. Para falar sobre Rosa Basin, professora de Design de Moda do SENAI CETIQT, pegamos emprestada a fala de uma funcionária que cruzou nosso caminho durante a entrevista, e que explica exatamente o quão extasiados ficamos depois de uma verdadeira aula com a professora, que em sala atende pelo apelido de Panda.

Embora o trabalho com os alunos seja uma de suas maiores certezas, esta nem sempre foi a escolha da educadora. Formada em 1991 em Jornalismo, seus primeiros passos foram ligeiramente frustrados ao perceber que a maioria todos os veículos não estariam dispostos a colaborar com a sua militância. Aos trinta anos, uma mudança drástica de direcionamento a levou aos cursos técnicos do Senai de desenho e fotografia e foi quando finalmente a Rosa se encontrou no Design.

Em busca de mais conhecimento, ela decidiu se matricular na graduação do campus de Riachuelo e, com muito esforço, passou na prova em segundo lugar, dando à Rosa a certeza que precisava: “Foi uma coisa bem emocionante, porque aí que eu pensei: é isso que eu quero para mim”. Já no curso, mais um desafio: o interesse por computação gráfica em 1997, quando os computadores sequer tinham passado pelo seu boom no Brasil. “Quando eu estudei era um computador para a turma, ficava um grupo no mouse, outro no teclado, aí a professora explicava e a gente tinha horários em duplas para fazer os trabalhos. O pessoal brigava: ‘ah, você já apertou muito o mouse, agora é minha vez!’”, relembra Rosa. 

Desde então, as portas nunca mais se fecharam para Rosa Basin. De confecções a estamparias, passando pela elaboração do caderno de tendências do Senac, a designer fez de tudo um pouco até ser convidada para trabalhar no SENAI CETIQT, em 2007. No centro, a professora passa aos alunos um pouco de suas experiências com desenho técnico manual, ilustração de moda, tratamento de imagem e portfólio digital. Como se não fosse o suficiente, ela ainda comanda um grupo de Iniciação Científica que estuda o design da tatuagem na pele, luz e fotografia. Para o trabalho final, o grupo planeja uma exposição- bem profissional, como ela mesma ressalta-, para mostrar o olhar fotográfico de cada um.

Já o Panda, por sua vez, surgiu quando a Rosa conheceu o Po, personagem principal da animação Kung Fu Panda: “O Po é maravilhoso em termos não só gráficos mas em personagens e também como filosofia. Ele tem todo um contexto, dessa filosofia oriental que é tão importante, tão significativa na minha vida. E aí eu fui me apaixonando, na época era um ser em extinção, ele é multifacetado porque não é urso, não é um marsupial, ele é um ser meio híbrido, e eu sou meio assim, tenho um jeito meio menino, eu vivo dizendo por aí que eu sou o viado daqui porque, menina, eu sou mais viado que todo mundo!”

Como uma brincadeira com fundo de verdade, a Rosa enxerga no lúdico a “grande salvação”. Seja com o fantoche ou o rabo de glitter que comprou na Fécula Acessórios, as fantasias fazem sucesso entre os alunos e os mantém atentos até o sinal tocar. O motivo de levar tanta fantasia para dentro de classe é aliviar a pressão dos jovens, que muitas vezes passam mais tempo na faculdade do que em casa: “É legal trazer isso para cá porque nós somos mais do que educadores, somos condutores. A relação com o ser humano é muito bonita para mim, cada ser humano é muito, muito diferente um do outro, e eu acho que isso é tão interessante ver essa individualidade, essa particularidade de cada ser humano interagindo com você, isso é fascinante”. 

O vestibular para o curso de Design de Moda já está com as inscrições abertas, com início do ano letivo para 30 de Julho de 2018.

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