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Naila Agostinho

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

@nailaagostinho

“Quando alguma pessoa negra (amigo ou conhecido) me fala ‘me xingaram hoje na rua’ ou ‘mandaram mensagens racistas no meu Instagram’ eu fico refletindo demais e tento entender por que acontece com x e y, mas nunca aconteceu comigo. Não digo que nunca sofri racismo, mas nunca fui atacada tão descaradamente. Sofri (e sofro) aquele racismo que você entende, porque você é negro, mas quem é branco vai dizer que é coisa da sua cabeça. Em diversas situações da minha vida eu era a única pessoa negra na escola, curso de inglês, aula de ballet, ou qualquer outro local onde eu era a minoria. Sei que minhas vivências foram totalmente diferentes de outras pessoas negras. Lembro que com 7 anos um colega da turma de natação não quis fazer par comigo numa atividade. Ele não disse o motivo, mas eu via nos olhos dele. Eu simplesmente aceitei. Não chorei, não falei com meus pais. Eu só esperei o professor trocar os pares e eu conseguir fazer a atividade. O que mais me choca hoje em dia é que quando falo ‘estudo Comunicação na PUC e faço estágio na Sony Music’ as pessoas primeiro se espantam, depois me enchem de perguntas para ter certeza que não estou mentindo. É uma necessidade de provar que sou capaz o tempo todo. Todos os dias. Porque uma pessoa branca mediana consegue muitas coisas. Uma pessoa negra, uma mulher negra, não. Como mulher negra preciso ser duas, três vezes melhor que alguém para ter credibilidade.”

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