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Mães em Movimento: Priscilla Silva

Fotos: Bel Corçao
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Texto: RIOetc

Mães em Movimento: um retrato da nova geração de mães que está redefinindo o estereótipo da maternagem.

Elas transitam entre carreira e vida pessoal, se entendem na sua individualidade e são sinônimos de mobilidade. A Sandálias Ipanema, em co-criação com a Noix e o RIOetc, apresenta Mães em Movimento, projeto que quer retratar as mães que são livres para transitar pelos espaços, prezam pela sua individualidade e reconfiguram o relacionamento entre a maternagem e os outros aspectos da sua vida. Convidamos oito mães para mostrar que ser mãe também é ser livre dos pés à cabeça. Conheça agora Priscilla Silva (@maenadaconvencional).

“A gente costuma dizer que educar uma criança preta no Brasil, você não educa, é quase um treinamento de guerra mesmo”. Se a maternidade já é uma grande questão para as mulheres brancas, a Priscilla sabe muito bem que para as pretas é um desafio infinitamente maior. Quando a filha Aliya nasceu, a Pri morava longe da família e teve que assumir a responsa sozinha. Em um primeiro momento, para ela ser mãe significava abdicar 100% do lazer e se dedicar a esta função. Além de lidar com a dificuldade entre balancear os cuidados com o bebê e a vida pessoal, era ainda mais preocupante saber que a falta de representatividade e o racismo seriam uma constante na vida das duas.

Dois anos depois, quando a maternidade já permitia um pouco mais de liberdade, ela percebeu que outras mulheres se sentiam representadas com a sua trajetória, então resolveu compartilhar – através da @ “Mãe Nada Convencional” – um pouco da rotina com a Aliya, que envolve desde cuidados com o cabelo crespo a muita farra em época de Carnaval, ou até mesmo fora dele. O perfil, que começou de maneira despretensiosa, hoje permitiu que a Priscilla mudasse inclusive a vida profissional.

Por isso, apesar dos altos e baixos em relação à vida materna, hoje a Pri consegue enxergar um processo de amadurecimento. Ela perdeu a culpa de ficar longe da Aliya. ”Eu não me permito mais ter aquela culpa materna como se a mãe e a culpa fosse uma coisa só e de achar que a mãe tem que fazer tudo em função da criança. Eu não me enxergo mais dessa forma no espaço. Eu vejo que a minha felicidade é fundamental pra minha maternidade. Esse lance de estar 100% dedicada, abdicar das coisas que gosta por conta da criança e ser infeliz, não é essa mãe que a minha filha precisa. E ela entende perfeitamente que ela tem o momento dela e a mamãe tem o momento da mamãe, explica.

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