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Elian Almeida

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

@samooldshit

“Quando eu penso no racismo hoje, eu penso no meu cotidiano. Penso como por diversas vezes eu precisei moldar meu corpo e a minha mente pra tentar me realocar dentro de alguns espaços. E percebi a realidade cruel de ser um artista e estudante de artes que mantém relações e vive dentro de um circuito social e de trabalho, branco, burguês e extremamente racista. Em 2 anos de faculdade, eu só tive aula com dois professores negros, em uma universidade considerada vanguarda em ações de políticas sociais e raciais. Percebo, quando eu entro na aula e conto nos dedos quantos alunos negros estudam comigo. E essa realidade estende-se dentro de um hype do campo da arte, moda e todas as outras formas de produção cultural e artística. Tem muita mulher negra e homem negro produzindo conteúdo nos mais diversos campos e que não é absorvido pelo circuito. E quando tem participação direta, acaba ficando na margem. É aquela máxima: a cultura negra é o hype, mas ser negro não é. E tomei consciência dessa realidade sentindo na pele e como isso foi acentuando problemas psicológicos, fragilizando a minha saúde mental. E é vivendo essa realidade diária, da abordagem racista do policial, do olhar colonizado e a perspectiva excludente do cubo branco, que eu vejo na minha identidade e ancestralidade negra, a minha Resistência.”

#sobreserpreto

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