Ir para conteúdo

Aline Carmo

Fotos: Wendy Andrade
|
Texto: RIOetc

@alinecarmomodel

“Meu nome é Aline do Carmo Moraes Silva, sou mulher negra, modelo e maquinista (1a oficial da marinha mercante). Tenho 31 anos e apesar de ter nascido em Campinas SP, sou moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Convivo com o racismo desde que me conheço por gente. Na infância, como muitas crianças negras no Brasil, as minhas referências de beleza e poder se encontravam dentro de casa, e era muito difícil explicar ou competir com o que eu absorvia na rua. Minha avó, Maria Luiza – que era cheia de ousadia -, e minha mãe, Benedita Antonieta, com uma elegância natural me inspiravam dia após dia no meu encontro com a minha própria beleza. Na TV, eram poucas as referências e, quando tinha, nós éramos exibidos de uma forma que somente quem é negro sabe. Os anos foram passando e conforme eu ia buscando mais referências, mais percebia as críticas das pessoas e, num círculo vicioso de eu tentar adequar a minha imagem ao padrão estabelecido pela sociedade, ficava com a autoestima baixa. Quando percebi isso, comecei a desenvolver um processo de autoconhecimento e experimentação (processos que não terminei até hoje). Após estabelecer algumas estratégias de mudança, decidi colocá-las em prática, renascer com a minha nova fase, com novo emprego, novo lar; foi então que eu raspei a cabeça e assim meu rosto realçou. Antes mesmo de eu me descobrir bonita, me descobriram. Meu primo Paulo Lessa assim que viu algumas fotos perguntou se eu não queria trabalhar como modelo. E aos poucos, através dos trabalhos, fui adquirindo e desenvolvendo confiança na minha pessoa e naquilo que eu transmito. Me acho linda e inteligente. E ao mesmo tempo comecei a observar a geração de adolescentes e crianças também se fortalecendo através do conhecimento. Ainda que não seja tudo, pois continuamos sendo dizimados, discriminados e tendo nossos direitos negados em vários setores da sociedade; isso é um avanço. E observando os muitos debates que temos seja na mídias sociais ou ao vivo, acredito que a ferramenta mais eficiente de combate ao racismo é a educação de toda a nossa sociedade.
Por isso, hoje como modelo, procuro inspirar jovens a serem independentes e se afirmarem em todos os aspectos da vida: serem sujeitos, e não coadjuvantes da sua vida.”

#sobreserpreto

Comentários