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Muito prazer, Puxadinho Antropológico

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

[Wendy Andrade]

Carolina Delgado morou quatro anos e meio em São Paulo, e na terra da garoa teve a oportunidade de entrar no mercado de publicidade. Antes, a garota da Tijuca tinha trabalhado vinte anos com projetos sociais, e sua observação de estética e consumo era algo bem cotidiano. No baile de corredor que frequentava, ela reparava que marca, moda e estética eram pilares muito relevantes na comunicação desses grupos no dia a dia. “A relação horizontal era constituída com Nike, Mizuno e Adidas, junto com cabelo e até mesmo o modo de falar. Tudo isso resultava em criação de identidade”, conta Carol.

Quando começou a trabalhar em projetos sociais, esse fluxo continuou, e a primeira ruptura só foi acontecer quando Carol foi fazer mestrado em Antropologia e quis descobrir como o mercado tradicional funcionava. Nessa busca, teve a oportunidade de cobrir Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, e ficou impressionada com a capacidade de formas de opressão que esses eventos produziam. “O julgamento que a moda e a produção de imagem faziam do que é bonito, feio e do que valia a pena ser consumido, do que tinha valor simbólico”, explica.

Carol escolheu não ter esse tipo de relação, preferiu continuar do lado A. Até que na mudança para São Paulo ela foi jogada no lado B. Começou a trabalhar em agências e levantava questões sobre a metodologia que o mercado usava para resolver problemas e para lidar com o público consumidor. E nesse mar de questionamentos, mesmo realizando bons trabalhos, Carol foi demitida de todas as agências em que trabalhou.

Sem entender, Carol começou a pensar por que isso acontecia, e chegou à conclusão de que seu olhar antropológico era muito abrangente, e sua facilidade de contextualização não era fácil de ser acompanhada, já que 50% vinham da antropologia, e a outra metade, da vivência. E assim ela começou a pensar em formas de facilitar esse conhecimento para as pessoas, o que ela chama de redução antropológica – termo usado originalmente pelo antropólogo negro Guerreiro Ramos.

Quando voltou para o Rio, deu de cara com uma efervescência cultural e imagética muito grande. Produções simbólicas borbulhando e pessoas querendo voz. Mas o Rio continuava com o mesmo problema de recorte: muitas cidades que não se falam. E assim o Puxadinho Antropológico começou a dar seus primeiros passos. Usou o blog antigo que não usava (mas que até hoje mantém o endereço, Say it loud), começou a escrever, deu mais espaço na sala de casa, travesseiros, cadeiras, comida, e convidou as pessoas a discutirem antropologia.

O Puxadinho basicamente é um convite à pluralidade, como diz Carol. “A ideia é trazer novos olhares, novas perspectivas de encontro e compartilhar conhecimento”. A atividade mais popular do Puxadinho é o “clube do livro” onde os convidados leem um clássico da antropologia e trazem aquele assunto para a contemporaneidade, e juntos vão trançando um paralelo de conhecimento.

Para quem quer conhecer o Puxadinho, é só ficar de olho na página ou no Facebook da Carol, ela sempre divulga quando abre turmas. Sobre esse look da Carol? Ela é expert em garimpar e deu dicas de brechós imperdíveis:

Bazar Show
Avenida José de Arimateia, 8 – Cidade de Deus

Senhorita Vida Boutique & Brechó Jabour
Rua Silvio Fontes, 89 – Senador Câmara / Bangu

Abapha Vintagepop – Online

Brechó Solidário Instituto Floriano Peçanha dos Santos
Rua Visconde de Pirajá, 351 – loja 106 – Fórum de Ipanema

Brechó Fraternidade dos Filhos de Guaribá
Rua Almirante João Cândido Brasil, 226 – Tijuca

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