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Muito prazer, Cofi

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Depois de 14 anos, a advogada Patrícia Azevedo entrou numa crise profissional irreversível: não era aquilo que queria da vida. No Natal de 2011, seu marido, Paulo Sauerbronn (também formado em Direito, mas convertido em consultor empresarial), decidiu lhe dar um presente diferente. “Era uma máquina de costura. Mas claro que comprei um outro, pro caso de ela ficar furiosa comigo”, ri. Patrícia ficou desconcertada e sequer disfarçou o sorriso amarelo. “No primeiro momento, achei a maior furada do mundo. E eu sou muito transparente”, lembra Patrícia. Mesmo assim, decidiu se inscrever num curso de costura e colocar a imaginação pra aflorar. “Virou uma terapia”.

Foi então que conheceu a designer Guaíra Miranda, dona do Café Costura, misto de ateliê e escola que funciona há dez anos em Ipanema. “Decidi presentear o padrinho da minha filha com uma calça feita por mim, que era toda quadriculada, tipo as do Agostinho Carrara. Ele entrou na Osklen e os vendedores perguntaram onde ele tinha comprado”, diverte-se a ex-advogada. Ali começava a nascer, sem que eles desconfiassem, a Cofi, marca de calças masculinas. “Eu já tinha dado umas 7.800 ideias pra Patrícia, mas essa foi a primeira que fez eco”, conta Paulo.

O publicitário Flavio Azevedo, irmão de Patrícia, juntou-se ao projeto aos dois minutos do primeiro tempo – sim, dois minutos foi o tempo necessário para que ele se convencesse de que estava diante de um bom negócio. “Se ele não usasse, seria difícil eu mesma acreditar que era viável”, diz Patrícia. E Flavio ajudou a conceituar o produto: Cofi é uma calça masculina, ultraconfortável, para homens que vistam entre 34 e 48. “Meu filho, de 14, e meu pai, de 80, ajudaram a modelar”, explica Guaíra. “Coffeewear” seria uma extensão do conceito de loungewear – o conforto levado ao extremo. Feitas em algodão e com cadarço na cintura. “É uma calça confortável para ficar em casa e para sair. E sempre com muita cor”, diz Patrícia. “Adoro ir trabalhar de bicicleta, mas pedalar de calça jeans é ruim, e nem todas as situações permitem bermudas”, acrescenta Paulo que, como Patrícia, ama cozinhar. E, claro, encerrar suas refeições com um cafezinho.

A embalagem de entrega, por isso, é uma marmita, que vem dentro de uma caixa de papelão carimbada. O “cofi” do nome é também uma homenagem ao Café Costura, onde tudo começou – e onde a produção continua. Patrícia, embora empenhada, considera-se uma costureira sofrível. Então é Guaíra quem comanda o time que dá forma às peças – todas numeradas, como se fossem obras de arte. Cada tiragem tem no mínimo 12 e no máximo 32 exemplares, valorizando o aspecto artesanal. Uma bolachinha, como as de chope, traz a numeração do exemplar. Por último, mas não menos importante: as calças são feitas com matéria-prima 100% nacional, e a marca valoriza a mão de obra empregada com a política do preço justo.

A simplicidade da Cofi está até na escolha de um único modelo, com variadas estampas. “Mas vamos lançar uma nova a cada semana, homenageando pessoas, lugares e coisas”, diz Paulo. “Mês que vem, o site ganha uma versão em inglês, para começarmos a entregar no mundo inteiro”, planeja Patrícia. “E em breve, vamos lançar calças dupla face, que podem ser usadas dos dois lados, mas que não esquentam porque são feitas com tecidos ultrafinos”, anuncia Guaíra. Praticamente um Cofi com creme.

Fotos: Tiago Petrik

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