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Uma construção na Babilônia

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

[Vivian Melchior]

Morro da Babilônia, Leme. Lá no alto: sobe ladeira, mais ladeira, escada, ladeira de terra e mais escada. Chegamos em uma portinha de madeira Pinus: lá dentro, ouso dizer, tem uma das vistas mais lindas do Rio. A casinha é pequena mas espaçosa: sala, cozinha e quarto integrados como em uma quitinete. É tudo muito claro, a luz natural dispensa qualquer lâmpada até as 17h. Uma construção recente e que demorou 5 meses para ficar pronta: trata-se do trabalho da Trinques Arquitetura, da arquiteta francesa e moradora do Morro da Babilônia, Laura Beringuer.

Inicialmente intitulada de Ateliê de Arquitetura de Favela, a Triques tem o objetivo de viabilizar projetos e construções acessíveis – e principalmente em favelas do Rio. Começou quando a Laura, já no Rio há 8 anos – e moradora do Morro da Babilônia há 6 – fez um projeto na cidade com alguns pedreiros que moravam no morro. “Depois disso, eles me chamaram pra ajudar em projetos aqui dentro da comunidade. Afinal, eles tinham que inventar a casa. Eu desenhei um projeto legal e a casa foi superbem construída”, conta. Outros moradores começaram a procurar a Laura. A empresa faz projetos por preços que variam de R$1mil a R$3mil. “Eu decidi me dedicar a isso sentindo que podia resolver problemas graves de segurança, de saúde, de conforto e de alto custo de construção fazendo meu trabalho, que só precisava ter um preço acessível às pessoas de baixa renda”, acrescenta.

O indoor das fotos é o último que ela construiu no Morro da Babilônia. É a casa do casal Vitória Flores, designer e ilustradora, e Miguel Vida, artista plástico – e responsável por todas as pinturas que aparecem nas imagens. O Miguel, que também é arquiteto, ajudou a Laura na construção do projeto. O chão, teto e parede foram feitos de cimento queimado – econômico e fácil de aplicar. As luminárias do ambiente são todas de concreto feitas por eles 3. A telha é reciclada, não quebra, é leve e não pega fogo: tem uma função térmica pois reflete a luz do sol. No banheiro, espelho que eles acharam no lixo e pia de concreto feita à mão pela própria Laura. O resultado é esse aí que você vê: um lugar espaçoso, econômico, claro e lindo.

Até agora, a Laura já assinou projetos no Morro do Cantagalo, Rocinha, Babilônia, Chapéu Mangueira, Manguinhos, Vila Cruzeiro e em Bangu. Se quiser conhecer mais, eles tem site – link no primeiro parágrafo – e instagram. Vida longa!

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