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Primeiramente: o Tupinambá Lambido

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon]

Em períodos de tensões sociais, as ruas ao redor do mundo nunca amanhecem as mesmas. As manifestações coletivas reverberam as demandas políticas no espaço público: palavras de ordem, pixações, panelas (um tanto silenciosas ultimamente) e discussões ecoam as insatisfações. E não são poucos os ruídos necessários. Neste contexto, surge na paisagem urbana do Rio o coletivo anônimo Tupinambá Lambido para estimular “de forma poética a resistência na cidade”.

O projeto de lambe-lambes de teor político é formado por sete artistas de rua. Os cartazes já espalhados por diversos pontos da cidade trazem imagens como um Michel Temer vampiresco, listas de empresas devedoras de impostos e críticas à imprensa. Uma bandeira do Brasil é desenhada com a conversa grampeada entre Romero Jucá e Sérgio Machado, onde o “Ordem e Progresso” é substituído por “a solução é colocar o Michel”.

Confira nossa entrevista por email com o Tupinambá Lambido e marque os cartazes pelo caminho com as hashtags #tumpinambalambido #lambescontraogolpe, e claro, #foratemer.

Como e quando surgiu a idéia do projeto?

Ao longo de 2016, vários de nós começaram a desenvolver formas de arte próximas aos ativismos, em resposta ao crescente retrocesso que percebemos na atmosfera da cidade. Nossas atividades foram se tangenciando, e alguns de nós já tinha longa experiência com lambes. Surgiu a idéia de desenvolver um projeto maior, que se espalhasse pelos diferentes bairros, acalentando de forma poética a resistência na cidade.

Como se deu a escolha do nome?

Os tupinambás foram bravos guerreiros, e resistiram até o fim à dominação política colonial. Eram uma nação de estética e costumes sofisticados, e sobram relatos de seu bom humor.

Porque escolheram os lambe-lambes como suporte?

Por ser, dentre as mídias de comunicação de massa, um meio que combina eficiência e baixo custo. Além disso, sua ligação com as artes gráficas e a serigrafia o torna familiar à nossa atuação no campo das artes visuais.

Quantos artistas fazem parte do coletivo?

No grupo original somos sete. Entretanto, em vários momentos um número maior de artistas, e mesmo de outros profissionais, se fez necessário e agregamos variadas colaborações na criação e produção dos cartazes.

Vocês consideram que a arte urbana é uma intervenção política? Por quê?

Sim. Porque acreditamos que toda arte potente tem poder político e revolucionário. Sendo assim, a chamada arte urbana é a arte política realizada em seu espaço ideal, as ruas. Acreditamos ser urgente resgatar e celebrar a noção de que a rua é nossa, a cidade é nossa, o país é nosso.

Como é a interação das pessoas com os cartazes?

Vários cartazes sofrem intervenções. Um tapume foi removido em sua totalidade. Os cartazes colocados no muro do BNDES, na Avenida República do Paraguai, e no muro próximo ao jornal O Globo foram rapidamente retirados. O cartaz com a cara do ilegítimo derretendo foi o alvo favorito, sofreu diversos ataques. Inclusive suspeitamos que levou um banho de ácido nas proximidades da praça Tiradentes. Por outro lado, a população também acolheu os cartazes e muitos permanecem intactos nas ruas, outros tantos foram pixados, escritos, atos que são respostas ao trabalho. Temos recebido um retorno expressivo via o perfil online que criamos, muitos nos mandam fotos dos cartazes nos mais diversos lugares e agradecimentos pela realização da ação.

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