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Ladrilha: com azulejo, com afeto

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon]

“O que está escrito aí?”, interpelou o vendedor de livros e quinquilharias soltas – um típico e romântico  comerciante das calçadas de Copacabana – da Travessa Moacyr Deriquém, que liga a Rua Santa Clara ao Bairro Peixoto.

“O amor é isso TUDO mesmo!”, leu em silêncio no manuscrito sobre o azulejo azul clarinho.

“Isso aí é abençoado. Quer ajuda?”, ofereceu-se para ajudar a colar a plaqueta no escasso espaço em branco da galeria toda grafitada.

E assim se deu a interação poética e gentil, quase autoexplicativa, entre o projeto Ladrilha e o seu “Luiz Carlos ‘Abençoado’, muito prazer”.

Revestir as paredes da cidade com afagos poéticos, todos escritos à mão sobre azulejos, é a proposta da jornalista Fernanda Moreira. Com caneta preta e afeto, frases como “Tua beleza é linda” e “Você é meu sentimento favorito” estampam os ladrilhos azuis, brancos, amarelos e rosas que já foram colados em Santa Teresa, São Cristóvão, Largo do Machado e, agora, Copa. Para ela, Ladrilha não é verbo no imperativo, é um substantivo feminino.

“Hoje em dia, a gente vê pouco a letra das pessoas, né? E a caligrafia tem afeto, alegria. Tem um pouco de mim nas letras, minha personalidade. O suporte também foi uma escolha afetiva, o azulejo é uma coisa muito nossa, do Brasil. É poético por si só”, explica Fernanda. “Quero fazer essas intervenções também em espelhos, para falar sobre beleza. A ideia do nome Ladrilha foi para trazer o feminino para a rua, que é um ambiente tão hostil com as mulheres”.

As intervenções começaram em fevereiro, é um trabalho recente, mas Fernanda já tem mais um monte de planos: escrever em outros suportes, reais e virtuais, como em tijolos, nas páginas de um livro e em seu site. Enquanto as ideias tomam forma, é possível ler seu trabalho feito à mão pelas ruas e nas redes sociais do Ladrilha (e também no blog Adoro! Farm, onde a Fernanda trabalha).

Como ela escreveu, “Poesia é casa”. E as ruas do Rio também.

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