Ir para conteúdo

RIOetc entrevista Adriana Lacerda

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: Derek Mangabeira

[Nathália Neri]

“Eu não sei o que é uma vida sem viajar”.

Foi assim que Adriana Lacerda começou a nos contar sobre suas andanças pelo mundo. Baiana, ela é dessas que viajam desde pequena. Não, não é exagero. Aos 11 meses já estava morando no Peru, e por lá ficou durante oito anos. Mais velha, mudou-se para os Estados Unidos, onde se formou em Negócios Internacionais e Marketing pela George Washington University, em Washington DC, e logo depois partiu para uma pós-graduação em Marketing pela universidade ESIC, em Valencia, na Espanha. Mas foi morando com o namorado no Chipre que toda a história começou.

A curiosidade de amigos e familiares em saber onde ficava a ilha, situada ao sul da Turquia, quais idiomas eram falados e todas as outras particularidades desse lugar pouco conhecido despertou em Adriana o desejo de relatar o dia a dia de uma estrangeira morando no Chipre.

Eis que o blog entra em cena.

Num primeiro momento, Adriana basicamente contava as curiosidades de suas viagens. Mas logo perguntas como “o que fazer?”, “onde comer?”, “que lugares visitar?” começaram a surgir, e a baiana passou a incluir nos posts dicas práticas de cada lugar novo que visitava. De volta ao Brasil, largou as agências de marketing e começou a trabalhar em uma agência de turismo. A partir daí, o sonho de passar um ano dando a volta ao mundo parecia estar cada vez mais próximo. Adriana queria ter um “gostinho a mais” do que é o mundo. Estados Unidos e Europa foram descartados. Ela queria lugares exóticos, que a desafiassem. Ásia, África, Oceania, Oriente Médio, México e Cuba foram os destinos escolhidos.

A aventura começou por Moçambique e terminou no México. As contas não são muito precisas, mas foram mais ou menos 45 dias na África, 30 e poucos dias no Oriente Médio e 5 meses só na Ásia. Durante o percurso, Adriana foi do “luxo ao lixo”. Saía de um hotel 5 estrelas e ia para um albergue, casa de amigos ou de famílias locais. Chegou a pagar sete dólares em uma pousada em que só havia energia das 19h às 3h da manhã. Papel higiênico, repelente e álcool gel foram itens indispensáveis. Adriana viveu e viu um pouco de tudo. “De coração e alma aberta”, como ela mesma diz, foi tentar compreender os costumes, as diferenças sociais e políticas de cada povo. Tentou se “livrar” de tudo o que já tinha aprendido e lido, e mergulhou de cabeça na cultura de cada país. Viu de perto a miséria, mas também o luxo. Foi vista como “fonte de renda” em Cuba, mas também foi acolhida pela pureza das crianças no Vietnam. No Oriente Médio, conheceu mulheres que são felizes usando burca. E também conheceu aquelas que precisam ir para Miami para serem o que desejam ser.  Visitou praias paradisíacas na Tailândia. Dormiu em uma aldeia com baratas ao seu redor, provou gafanhoto frito, bebeu sangue de cabra e disse: “As comidas tailandesa e libanesa são as minhas preferidas”.

Se maravilhou com a fauna, flora e os animas durante os safáris na África e ficou encantada com a natureza ainda intocada pelo homem na Nova Zelândia. “Constantemente eu me sentia um grãozinho de areia de ver como o mundo é tão grande perto de nós. É um tipo de viagem que te traz humildade”. Foi do céu ao inferno na Índia e em Cuba. A passagem por esses dois países foi descrita por Adriana como um “turbilhão de emoções”.

Na incessante busca pra compreender a felicidade nos continentes que visitou, concluiu que precisamos de muito pouco para ser feliz: saúde, laços familiares, amigos e liberdade.

Foram 363 dias, 32 países, uma mala de vinte quilos e não se sabe quantas cidades. Na bagagem de volta para o Brasil, a baiana trouxe mais humildade, tolerância e algumas lembrancinhas também (ninguém é de ferro!). Durante a conversa, era fácil perceber que seus olhos brilhavam ao falar de cada detalhe, cada curiosidade, cada história. Adriana é uma daquelas pessoas que você pode ficar conversando durante horas. Ela te passa tranquilidade, uma vontade de sair por aí desbravando o mundo, conhecer outros hábitos e compartilhar vivências. Para ficar por dentro das viagens (agora ela está no Peru) e descolar dicas, é só acessar o seu blog Escapismo Genuíno e o Instagram @viajantete. E quem sabe não vem um livro por aí?

Comentários