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RIOetc entrevista Julia Moura, do Tunnel Lab

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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik] Texto e foto

Julia Moura formou-se em Publicidade pela PUC, mas nunca achou que aquilo era pra ela. Resolveu fazer um mestrado em Empreendedorismo Social, e por conta disso foi parar em San Francisco, Califórnia. No curso, conheceu Jon Littman, autor de “The Art of Inovation”, em que fala de confiança criativa e Design Thinking, e se apaixonou pelo tema. Um convite a levou para a África. No Quênia, dedicou-se à telemedicina. Sua tarefa era ajudar uma aldeia devastada pela Aids, onde 70% da população têm até 12 anos. “Para quem nasceu e cresceu no Rio, e conhece as favelas daqui, a noção de pobreza muda totalmente”, conta. De lá, foi para a Alemanha, trabalhar na Yunus Social Business, criada por Muhammed Yunus, vencedor do Nobel da Paz de 2006 pela teoria do microcrédito.

Aos 26 anos, depois de três fora de casa, Julia voltou pra visitar a família na época da Copa, e por aqui ficou. Em pouco tempo, criou o Tunnel Lab, que tem como objetivo capacitar adolescentes de áreas pobres a utilizar a tecnologia para desenvolver negócios que ajudem a resolver problemas de suas comunidades. O primeiro desafio é arrecadar fundos para o projeto “Acelera, favela”. O crowdfundig rola na Benfeitoria, e a meta é conseguir R$ 11 mil para levar a ideia adiante. Como em toda vaquinha do tipo, há uma série de recompensas para quem se dispõe a ajudar, de um simples agradecimento a uma consultoria empresarial de Design Thinking, com duração de dois dias. “O valor é para custear transporte e alimentação dos alunos e o material básico necessário”, explica Julia.

“Temos que descobrir as habilidades de cada um, para que esses jovens, que têm noção do quanto são invisíveis para a sociedade, deixem de ser espectadores e passem a ser produtores”, diz Julia, que é contra o mero assistencialismo. No primeiro piloto do “Acelera, Favela” – pra testar se a boa-vontade era factível –, Julia reuniu 17 adolescentes dos morros de São Carlos, Catumbi, Rio Comprido, Rocinha, Fallet, Fogueteiro e Prazeres, num encontro que durou uma semana, na PUC. Lá, foram apresentados a noções de negócios e uso de tecnologia. Os quatro grupos formados apresentaram problemas e apontaram soluções. Um deles, por exemplo, diante da dificuldade de acesso de idosos em comunidades muito íngremes, imaginou espalhar botões que acionam voluntários, conectados via aplicativo, de forma que o mais próximo se desloca até quem esteja precisando de ajuda. “O Brasil é um dos países com maior número de empreendedores por necessidade do mundo”, diz Julia.

Você pode contribuir para o projeto até dia 7 de dezembro. Mas por que não fazer isso agora?

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