Rio de Janeiro, 06|03|13

Fotos: Tiago Petrik

[Carolina Isabel Novaes]

Há cinco anos Fernando Schlaepfer começou a fotografar a cena que frequentava, daí postava no flickr, pessoal gostava e, pronto, surgia uma ideia. Fernando conheceu na mesma cena Rodrigo Esper e Raul Aragão, se juntaram e assim nasceu 0 I Hate Flash, site de fotos que é o seguinte: se sua festa não aparece lá, sua festa é muito caída.

Hoje o I Hate Flash é mais que um site, é uma empresa com 16 funcionários – 12 fotógrafos -, braços em São Paulo e Uberlândia (sim, tem um fotógrafo lá, que por acaso é dono do club 185 – “A cena de Uberlândia é legal”, diz Esper), escritório na Francisco Otaviano e várias frentes de trabalho. O coletivo assina campanhas de moda, cobertura de eventos e shows de música. Entre os clientes estão Wöllner, Dress to, Nike, Osklen, revistas “Playboy” a  ”Capricho” –  versáteis, não? -, Rock in Rio e Lollapalooza, festivais dos quais, este ano, vão ser os fotógrafos oficiais. De novo. Coisa de gente grande e eles têm entre 26 e 28 anos.

- A guinada foi há dois anos. Cada um de nós tinha seu trabalho, eu já fotografava na Rede Globo, o Raul era designer, o Rodrigo tinha a produtora de eventos Aurora. Aí a Farm chamou a gente pra fotografar o Summer Sonic, no Japão, e a gente percebeu que, ou a gente ia, ou ia perder muita coisa legal. Então todo mundo se demitiu e passou a se dedicar exclusivamente ao I Hate Flash – conta Fernando.

No site não entra qualquer trabalho, só “necessariamente” o que os três curtem. Trabalho é trabalho, o I Hate Flash é  outra história. Ali é o espaço que eles têm para documentar a cena que vivem. Se os chamarem para cobrir um show sertanejo universitário, eles passam – “Nada contra, mas não é a cena que a gente frequenta”. Agora, se você não sabe o que é a cena, a cena são as festas, os shows, os lugares, as pessoas que frequentam esses lugares determinados. Antigamente era tribo. Ou contexto. A cena do trio engloba Fosfobox, Breakz na Pedra do Leme, festa em barco, show no Circo. Gira em torno de música, de indie rock a eletrônico pesado. Passa por festas – já organizaram uma partida de Queimada a Fantasia – e é por aí que a cena se desenrola, com ou sem flash – o nome do site é uma ironia, tá?

Fernando, carioca, é mais fotógrafo de moda; Rodrigo, mineiro de Furnas, de shows; Raul, pernambucano de Recife, tem um lado diretor de arte “National Geographic” – ele fez um trabalho documental no Haiti e na Antártica sobre as mulheres na Marinha. São perfis complementares, tanto que se negam a falar sobre o som que estão ouvindo; afirmam que é capaz de cada um dizer uma coisa – “A gente vai discordar”, brinca Rodrigo. A cena corporativa, pelo menos, é única: é no Arpoador, onde trabalham e moram e comem Hareburger e tomam água de coco. Ou não.