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RIOetc entrevista Daniel Brito, da Miami Ad School

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

O publicitário Daniel Brito – que também atende como Japa, embora não tenha nenhuma ascendência oriental – formou-se pela FGV, mas queria mesmo era ser diretor de cinema. E voar.

O fato de ter arrumado um estágio na Criação da Giovanni/FCB frustrou seus planos iniciais: nunca dirigiu um filme. De estagiário, foi até diretor de criação da agência (hoje FCB Brasil), onde permaneceu por 13 anos. Também esteve na WMcCann. Hoje trabalha na DPZ&T.

O cinema perdeu um diretor, mas a publicidade ficou com um profissional apaixonado. Que promete para breve realizar o antigo sonho. Morador de São Conrado, está naquela fase de buscar a última coragem para se lançar da Pedra Bonita num voo duplo.

Por ora, tem feito uma viagem repleta de realizações: como pai, seu primeiro filho, Antônio, está com 9 meses, e como professor da Miami Ad School Rio. Há cinco anos, desde que a escola abriu na Cidade Maravilhosa, Daniel é coordenador acadêmico da unidade.

“O mercado publicitário é competitivo. Parece informal, mas não é. Lidar com grandes anunciantes envolve muita dedicação e knowhow. Você precisa atender as expectativas do marketing, dar retorno comercial, produzir recall, além de criar um conteúdo original e um discurso relevante no mundo digital”, explica Daniel. “Com o passar do tempo, a propaganda vai te tirando o exercício livre da criatividade. Quando eu entro na escola, encontro um monte de gente pilhada, muitos sonhos. Ver essa turma evoluindo, esse talento sendo aplicado, traz uma nova energia. Me alimento deles também, além de colaborar com o mercado, levando esse pessoal para lá”, diz.

Se não levou às telonas uma produção sua, Daniel já foi o responsável por uma campanha que bateu recordes de visualizações no Youtube, num clipe estrelado por Simone & Simaria para a TIM. E lista entre os trabalhos que mais deram alegria produções para Coca-Cola, Trakinas, Club Social e Petrobras.

“A profissão hoje está mais careta, e essa galera vem com vontade romper com essa mesmice, trazendo novas linguagens. Também é importante prestar atenção às causas dessa geração: liberdade, racismo, gênero. O debate sobre a responsabilidade social na publicidade. Não dá mais pra ser do jeito que era quando eu comecei”, explica Daniel.

O professor compara a Miami a uma espécie de “categoria de base” de um grande time de futebol, com a função de lapidar e revelar novos talentos. Entre os craques que ele ajudou a formar estão Spartacus Santiago, que se tornou youtuber, e Renato Tagliari, hoje na Artplan. “Ainda como estudante, ele criou um projeto chamado A Bandeira dos Refugiados, inspirado na luta do povo Sírio. Ela fez parte das Olimpíadas Rio 2016, ganhou prêmios em Cannes e hoje está exposta no MoMA. Um troço gigantesco, que fez ainda como aluno!”, entusiasma-se.

“A escola acabou se tornando uma rede global especializada em preparar o profissional da indústria criativa. Presente em 16 cidades de 10 países, tem uma enorme sinergia”, diz Daniel, lembrando que é possível, para os alunos dos cursos regulares (há também os pockets e workshops), fazer intercâmbios entre as escolas. “A força da propaganda está associada à cultura local. Por que o Washington Olivetto é o papa da propaganda brasileira? Porque foi ele que viu que a gente precisava de um modelo próprio de publicidade, que refletisse a nossa alma. Quando você vai para uma escola fora do seu país de origem, as referências são outras. Em Londres, em Nova York ou no Oriente Médio. E esse choque de cultura da Miami é superpositivo para os alunos, porque eles têm acesso a pessoas que pensam de forma diferente, e quanto maior o seu repertório, melhor”. Em resumo: é como uma escola de voo livre, você até ganha asas quando se forma.

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