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Ode para a Lavradio

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Elian Almeida] Foto de Juliana Rocha

— Será que nós esquecemos as chaves, amor? Perguntou ela com a voz cansada.
— Será? Será que nós esquecemos o café?

E assim, ouvindo os diálogos da cidade, saí pra reinventar o sábado, atrasado. No pequeno trecho da Rua da Relação, seguindo para Lavradio.
E no jornal, anunciando apenas mais um dia normal. Não era apenas um sábado, mas o primeiro sábado do mês. Por entre os prédios, artes e antiguidades. Ali o amor se encontra. Ali o amor se refaz.

O colorido dos quadros colombianos, entre xícaras, armários e gavetas. Vestidos de segunda-feira, brincos e discos de uma sexta-feira. Acontece uma semana inteira.

Você já conhece o lugar. E agora, ela vem regando a alma, trazendo um pouco mais de calma. Sorrindo um pouco mais com a alma. E aquele seu vestido verde, de flores encantadas, o seu andar anos 80, parece até dançar, balançando e descendo por Santa Teresa. O chão riscado pelos trilhos. Aqui tem o som do bonde, tem o som do violão. Ver o amor em cada esquina, entre a cerveja, os amigos e o coração.

A outra metade da laranja. Tá bem naquela feira, com almas de qualquer lugar. E se esbarram. E se desculpam. E se namoram. E se transam.

E quando se cruzam, ela esquece os olhos no poema que fala sobre nós dois:

‘’ Lia
dormia
e
se
eleva
via
comia
coragem
que vista
te
via
trafegar
em mim
até
engarrafar ’’.

Sei que assim o tempo vai levando o sol. No cair da noite, adeus do encanto ao arrepio. Se for pra ser assim, não sei esperar por mais um mês. Uma ode para a Lavradio. Encantada, com a sua sensatez, com a sua timidez. Aonde o meu amor começa e não tem hora pra acabar. Me esbarra e rio. Se cruzam no Rio, de um Janeiro, Lavradio.

 

* Hoje, excepcionalmente no segundo sábado do mês, acontece a Feira da Rua do Lavradio. E festejando 18 anos de existência.

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