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Óbvio que sim

Fotos:
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Texto: RIOetc


[Letícia Novaes]

Outro dia vi um especial da comediante Sarah Silverman na TV. Já sabia do brilhantismo da moça, mas fiquei animada quando ela disse para a plateia: “Parem de dizer para as meninas que elas podem tudo. Não porque elas não podem, mas porque elas nunca devem ter pensado que não podem.” Parece simples e bobo, mas é altamente sábio.

O movimento feminista cresceu bastante nos últimos anos, que bom, fico extremamente feliz, mas algumas pessoas ainda tropeçam (em várias questões, eu talvez também tropece), mas essa em particular me tocou mais. Ficar sublinhando uma frase como essa, parece um pouco demente. Sarah Silverman dá um exemplo, no seu número de stand up, que é o seguinte: “É como se você fosse ao banheiro, e eu falasse pra você ‘Beleza, vai lá, eu não vou ler o seu diário enquanto você estiver mijando!'”

Aí a plateia ria, e ela finalizava: “Bem, agora que você falou que não vai ler meu diário, eu talvez mije pensando que OPA, alguém vai ler meu diário!”.

Reforçar para uma menina que está crescendo que ela pode fazer tudo que ela quiser é besteira. A gente nasce pensando isso. Claro que no trajeto, damos de cara com pessoas bem estúpidas e retrógradas que tentam nos fazer pensar que não, que não conseguimos, que não temos força, que somos incapazes, que dirigimos mal, que somos putas e tantos outros exemplos que beiram o tenebroso ao ridículo. Mas se a ideia original permanece no nosso coração, no nosso cérebro, na nossa alma, onde quer que você acredite que ficam as nossa ideias, essa gentalhazinha é só um buraco na estrada. A crença original perdura: a gente pode tudo. Mesmo. Mesmo. Não precisa avisar. É sabido.

 

Foto da série “Salgado”, do nosso fotógrafo Bruno Machado. 

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