Rio de Janeiro, 08|07|11

 

[Tiago Petrik] Montagem sobre foto de Augusto Malta/”Ressaca na Atlântica” (1921)

 

Alguém já disse que filme do Woody Allen é que nem sexo: bom mesmo quando ruim. Esta semana fui ver “Meia-Noite em Paris”, e achei que este equivale a sexo do bom.

O protagonista Gil, vivido por Owen Wilson (o “Eu” de “Marley & Eu”), é um roteirista hollywoodiano que sonha ser um romancista de sucesso e viver em Parrí – especialmente em dias de chuva.

Gil sente uma tremenda nostalgia de uma época que não viveu, os anos 20 do século passado. Durante sua estada na capital francesa, ele embarca em viagens no tempo e encontra personagens como Hemingway, Picasso e Buñuel, todos habitantes da Cidade Luz daquele período.

Discordo de Gil – de Allen, portanto – quanto a preferir Paris com chuva (pensando bem, nenhuma cidade fica melhor na chuva; o Rio, em especial, não combina).

Mas ao sair do cinema pensei como seria interessante fazer a viagem aos anos 20 cariocas. Pra pegar o bonde 13 até Ipanema. Ir ao estádio das Laranjeiras, o maior da América Latina, e assistir a um Fla-Flu (foi na década de 20 que inventaram o termo “Fla-Flu”!). Me deslumbrar com a arquitetura original da Avenida Rio Branco. Visitar o Mercado da Praça 15 ainda intacto. Conhecer os pavilhões construídos pra exposição de 1922, já demolidos, e terminar o passeio pelo Centro vendo um filme mudo na Cinelândia. Antes de ir dormir no recém-inaugurado Copacabana Palace, certamente ia cair na noite com o jovem Noel, na Vila. Juntos, faríamos uma farra com as moças recém-liberadas dos espartilhos.

Antes de voltar, pediria ao Augusto Malta o equipamento emprestado, pra clicar a alma encantadora das ruas na década de 20.

E daria uma idéia pro povo da época: “Construam uma estátua no alto daquele morro ali, o Corcovado. Vai ficar legal!”

 

 

Este post é mais uma gentileza da Gafisa pra você.