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Ele resolveu ficar

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Juliana Andrade] Foto de Tiago Petrik

Sempre fui movida a grandes paixões. De um dia, de um olhar, do Posto 9, da festa junina, do início ao fim de um verão, do Circo, da Bahia, do JB. Até paixão de uma vida inteira eu já tive.

Minhas paixões nunca precisaram de abrigo no outro. Meu peito sempre foi a morada perfeita. Acolhedor o suficiente para repousar com o – meu – amor numa sessão de cinema sob o edredom e imaginativo o bastante para levá-lo ao verão de Caraíva e ao friozinho de Itaipava, se fosse o caso. Muito mais que a imaginação, meu coração já me levou às melhores e maiores viagens.

Meu amor romântico nunca pediu para ser reconhecido e sempre se sentiu desconfortável nos moldes quando os precisou vestir. Sempre reclamou ao ser curtido no Facebook ou embelezado por um filtro do Instagram. Acostumado a curtir a beleza do caminho, sempre chegou realizado e satisfeito ao destino final.

Em meio aos voos e às quedas, trilhávamos nossos caminhos em perfeita sintonia, até o dia em que conhecemos aquela amendoeira no Leblon. Nada me tira da cabeça que a culpa é dela. Debruçado na sacada, iluminado pelos feixes de luz que passavam entre as suas folhas, sol refletindo no café (aquele que você preparou para mim), repousava o meu amor. Ele estava tão fascinado, que as buzinas da Visconde de Albuquerque lhe pareciam imperceptíveis.

Já eu, totalmente desconfortável, queria ir logo embora, mas ele insistia em ficar. No começo, pensei que poderia ser interessante. A convivência com o seu desamor poderia deixá-lo mais relaxado, menos insistente. Ponderei, ainda, que seria bom ele respirar novos ares (se bem que outro dia ele me ligou e disse que a conexão é a mesma: Jobi-BG-Jobi. Esquina de vez em quando).

A ordem natural era ele acabar ficando. Ele nunca precisou de muito para me convencer. O problema, agora, é que estou morrendo de saudade. Tentei ficar na minha, dar a ele o tempo de sentir o desejo de voltar com as próprias asas. Além disso, para mim também estava sendo bom, caminhei com as minhas próprias pernas um pouco. Muito tempo na mesma.

Meu senso de liberdade nunca permitiu que eu o encostasse na parede e meu orgulho me impediu de implorar a sua volta. Porém, assumo que pensei nele quase todos os dias. Durante este tempo, ele até mandou umas mensagens, disse para a gente marcar algo, contudo, a realidade é que não voltou até hoje.

Bom, eu não queria falar para não parecer mais uma desculpa para te ver. Mas, a verdade é que eu esqueci meu amor na sua casa e preciso busca-lo assim que der. Me avisa quando for melhor para você?

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