Rio de Janeiro, 29|07|11

[Tiago Petrik] Texto e foto

Gírias são um sinal de vitalidade das cidades. Se por um lado demonstram a existência de guetos, por outro são uma prova de que tem conversa nas ruas, interação, troca. Sobre os apelidos, dá pra considerar como uma intimidade sacana. E nisso, ninguém nega, o Rio é riquíssimo. A ponto de vários bairros da cidade terem seus nomes associados a reduções e abreviações – como se fossem gírias ou apelidos.

Por exemplo, a Urca. Não, não vem do tupi-guarani, como dá até pra imaginar. O bairro sob o Pão de Açúcar é um aterro realizado pela Urbanizadora Carioca. Sacou a sutileza? Ur-banizadora Ca-rioca. Ur-Ca.

Com Realengo foi parecido: na placa do bonde que ia pra lá só cabia “Real Engº”, e a coisa lida virou coisa falada. Sorte do Gilberto Gil, que conseguiu uma boa rima pra “torcida do Flamengo”. (Aquele abraço pra todos nós! A imagem que ilustra o texto vai em homenagem aos três gols do R10 na quarta-feira)

Da mesma forma, Vila Valqueire já foi Vila Quinto Alqueire, e a sabedoria do povão tratou de facilitar a fala. Ali perto, na Praça Seca, fica o caso mais radical. A praça homenageava o Visconde de Asseca. E tamanha foi a preguiça que o “Asseca” virou “Seca”.

Mas o caso mais curioso, sem dúvida, é o de Ilha de Guaratiba. Se você já se deu ao trabalho de ir até lá, deve ter reparado que não tem ilha nenhuma por perto. Mas a região pertencia a um certo William, mais conhecido como “William de Guaratiba”. De “William” pra “Ilha” não demorô. Já é!

Este post é mais uma gentileza da Gafisa pra você.