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Hip hop na alma

Rio de Janeiro, 30|07|14

 

[Inácio Martinelli] Foto de Eduardo Magalhães/I Hate Flashhip hop

O mau tempo que pairou sobre o Rio no último domingo não espantou o público, que encheu o Circo Voador para conferir de perto os veteranos do De La Soul. A turnê de comemoração dos 25 anos do histórico álbum “3 Feet High and Rising”, trouxe Posdnuos (Kelvin Mercer), Trugoy The Dove (David Jolicoeur) e Pasemaster Mase (Vincent Masel) de volta à cidade, quase uma década após a última apresentação deles em solo carioca.

Apelidados de “hippies do hip hop” no começo da carreira, devido às rimas sarcásticas e postura que contrastava com a marra dos artistas da época, os três continuam dando um show de simpatia. Principalmente Pasemaster, que brinca bastante com o público enquanto lança os famosos samples do grupo nas carrapetas. O bom humor só era interrompido quando o som do Circo apresentava falhas, o que aconteceu algumas vezes, mas não chegou a comprometer.

A apresentação foi uma mistura das diferentes fases da carreira do trio e não faltaram sucessos, com destaque para “Me, Myself and I”, presente em “3 Feet…” e que conta com o clássico sample de “(Not Just) Knee Deep” da banda Funkadelic. Também levantaram o público as músicas “A Roller Skating Jam Named Saturdays”, do álbum “De La Soul is Dead”, de 1991, e “Stakes is High”, do CD de mesmo nome, lançado em 1996.

Já no bis, veio a melhor sequência da noite, com as canções “Buddy”, “Ring Ring Ring” e “Feel Good Inc.”, parceria com o Gorillaz, que botou todo mundo para dançar. Ao longo da performance, os americanos fizeram vídeos, coreografias, assinaram diversos cartazes ainda no palco e mostraram que não precisa fazer cara feia para ter o nome marcado na história do hip hop.

A vinda do De La Soul foi mais uma iniciativa da galera do Queremos - e eles já confirmaram os shows das bandas Ghost, Beirut, Metronomy, Tame Impala, entre outras, para os próximos meses! Nós estaremos lá, e você?

Ele usa a lanterna como spray

Rio de Janeiro, 30|07|14

[Tiago Petrik] lanterna

Henrique Madeira é fotógrafo. E isso não bastaria para fazer dele personagem desta nossa Galeria Urbana. Mas o lisboeta, carioca desde os 3 anos de idade, usa uma lanterna como se fosse um spray, em que a luz é a tinta. Grafita no infinito, interagindo com a paisagem noturna. Domina como poucos a técnica conhecida como lightpainting – literalmente, pintura com a luz -, e neste sábado promove um workshop em que vai compartilhar seus conhecimentos sobre o tema. Acontece numa antiga fábrica no Rio Comprido, futura sede do Instituto R.U.A.. O investimento é de R$ 140.

A rigor, pintar com a luz é a essência da fotografia. O primeiro registro urbano de que se tem notícia, feito por Joseph Niépce em 1839, demorou alguns longos minutos – era o tempo necessário para que o daguerreótipo captasse a cena. Por isso, apenas dois personagens aparecem nitidamente: o engraxate e seu cliente, que ficaram “parados” no mesmo lugar durante o processo de captura da luz. Henrique Madeira faz como Niépce: deixa o obturador de sua câmera aberto pelo tempo necessário para desenhar. No caso da foto que ilustra este post, foram apenas 30 segundos – uma pequena demonstração para convocar os leitores do RIOetc a participarem do workshop. O estudo vai ter dez horas de duração, e contará com apenas 15 alunos. Não bastasse a aula do craque, ainda estarão presentes outros nomes da arte urbana carioca: Fernando Mangue, Márcio Piá, Marcelo Eco (que se iniciaram no lightpainting com a força de Henrique, membro do Light Painting World Alliance) e Marcelo Ment.

Madeira vem se aperfeiçoando há quatro anos na técnica, tornada popular nos anos 40 pelo gênio Pablo Picasso (no Brasil, a principal referência é Renan Cepeda, primeiro a levar suas imagens para as galerias de arte). Todos os dias Henrique pratica, nem que seja fazendo pequenos testes. E há cinco anos registra com afinco as atividades dos principais artistas urbanos brasileiros. Ele não fotografa a arte pronta, meramente, e sim o processo de feitura. Neste período, mais de mil pinturas foram acompanhadas por Henrique, que está em fase de captação para publicar o primeiro livro com um recorte deste trabalho ímpar. Ou seja: vem coisa muito boa por aí.

A propósito do workshop, vale ainda ressaltar: não é necessário levar nenhum equipamento. Mais ainda: o curso é aberto a qualquer pessoa. Você não precisa ser um artista para estar lá. Mas vai sair de lá se sentindo um.

Lucie é tri!

Rio de Janeiro, 30|07|14

Não é brincadeira: em pouco mais de um ano, essa é pelo menos a terceira vez que damos de cara com a Lucie e, claro, pedimos uma foto (veja as outras aparições aqui e aqui).

A francesa tá vivendo uma temporada por aqui pra completar seus estudos em Administração. De quebra, ainda viveu o alvoroço da Copa e conviveu com outros tantos gringos como ela. A novidade é que ela é uma das personagens do nosso próximo livro e pode conferir tudinho em primeira mão – a gente, por acaso, tava com o projeto dele na bolsa. Ô, sorte!

Fotos: Tiago Petrik