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RIOetc entrevista Fabiana D'Angelo

Rio de Janeiro, 17|04|14

Fotos: Juliana Rocha

[Nathália Neri]

No dicionário Aurélio a palavra brigadeiro significa:

1. Hierarquia Militar;

2. Docinho redondo, feito com leite condensado cozido ao qual se adiciona chocolate.

Quando estávamos a caminho da entrevista pensei: “Uhmm que desejo de comer um brigadeiro”. Aquele pensamento que nunca sai da cabeça de quem é viciado em chocolate. E foi só chegar na casa dos pais da Fabiana D’Angelo, em São Conrado, para nos deparamos com Ovos de Páscoa. Nos potinhos de vidro, mil e um recheios. Uma tentação! Simpática, Fabiana foi logo colando a mão na massa. Conversa vai, conversa vem, ela nos contou que a mania por brigadeiros começou na adolescência, quando morou com os pais na Inglaterra. A brincadeira de fazer o doce para algumas amigas acabou virando sucesso em toda a escola.

E nem tudo é por acaso. De volta ao Brasil, Fabiana começou a dar aulas de cerâmica e a oferecer brigadeiros para as alunas. E novamente foi um sucesso. Uma amiga contou pra outra amiga e assim foi. Quando se deu conta já estava fazendo brigadeiros para festinhas de aniversário. E quem diria que 15 anos depois Fabiana D’Angelo revolucionaria o conceito desse docinho tão querido por crianças e adultos. Hoje, com duas lojas, no Fashion Mall e no Rio Design Leblon, ainda é ela quem dá as coordenadas diariamente na produção, que chega a receber 50 caixas com 24 latas de leite condensado por semana.

Fabiana acredita que o curso na escola de Belas Artes possa ter ajudado a lhe dar mais criatividade. Ou quem sabe o DNA está mesmo em suas veias, já que seu bisavô materno era dono de uma fábrica de caramelos em Petrópolis – “Caramelos D’Angelo”. O certo é que nas mãos de Fabiana o brigadeiro ganha uma nova roupagem. Na forma de pirulito, em brownies recheados, servido em panelinhas coloridas para comer com colher ou na forma tradicional. E o que dizer da variedade de cores, texturas, confeitos e coberturas? Dão o toque final.

A receita não tem mistério, minha gente. É a famosa mistura de leite condensado, Nescau e manteiga.“Brigadeiro é brigadeiro”, ela diz. Mas aí a gente tenta fazer em casa e não fica igual. Fabiana realmente tem O talento. Prova disso é a agenda lotada de encomendas até o final do ano. Se você nunca provou um dos brigadeiros a Páscoa se aproxima e te dá essa oportunidade. Deixa a dieta de lado e seja feliz!

Agenda - 17 a 23 de abril

Rio de Janeiro, 17|04|14

 

Nossa seleção de programas para a semana – aonde a gente gostaria de ir se desse para fazer tudo!

Quinta 17.04

Hoje, às 18h, vai rolar em Vila Isabel mais um ‘Ocupa Maluca’. Leve seu trabalho e sua ideia e ajude a ocupar o espaço ;)

Pela primeira vez no Rio o artista plástico, grafiteiro e ilustrador Titi Freak faz exposição de gravuras feitas entre o período de 2005 a 2014, com ordem cronológica que conta a história de sua carreira. A partir das 18h, na Galeria Homegrown, em Ipanema.

A Redley convida o projeto SuperUber para ocupar as paredes da Flagship em Ipanema. O som fica por conta dos djs Mustache + Klak Sound.

1o anos da Fosfobox só podia dar em festa! Os djs Pedro Piu, Vintage Culture, Earstrip & Torha Live vão dar início as comemorações. R$30 até 01h com nome na lista.

Zeh Pretim e Zedoroque convidam os djs Negralha e Fabs Mondengo pra agitar o Mirante do Arvrão no Vidigal. Vans vão sair do Caneco 70, no Leblon pra levar a galera.

Sexta 18.04

A dica de hoje é conferir a estreia do filme venezuelano Palo Malo. Para conferir horários e só entrar no site do Grupo Estação.

Na Estação Leopoldina rola mais um Festival de Internacional de Danças Urbanas com workshops, batalhas e festas. Programação completa aqui.

A DOOM chega ao Jockey, na Gávea, com muito rap e hip hop de todas as vertentes. R$30 com nome na lista até 00h.

Sábado 19.04

Que tal tomar um café da manhã no Instituto Moreira Salles e de quebra ainda assistir um dos filmes do Festival Varilux de Cinema Francês?

Hoje no quiosque zeronove no Aterro do Flamengo tem brexó com x + festa SOMM. Roupas, música, sabores, cores e luzes invadindo a tarde de sábado. A partir das 15h.

De noite vai rolar a festa dirtyblackdisco no Studio Line!

Domingo 20.04

Domingo de Páscoa! Pra quem não sabe aonde almoçar, a Fiametta oferece opções deliciosas como o bacalhau gratinado com queijo gruyère e ainda o salmão gratinado ao forno com azeite e ervas finas, recheado de cuscuz marroquino e passas. O restaurante fica no Casa & Gourmet em Botafogo e abre a partir das 12h.

Segunda 21.04

Save the date que a I Hate Mondays tá de volta na Cave!

Terça 22.04

Dia de entrada gratuita no MAR! Bom para conferir as exposições ‘Josephine Baker e Le Corbusier no Rio – Um caso de amor’ e também ‘Experimentando Pernambuco Experimental’. O museu abre a partir das 10h.

Véspera de feriado e noite de voltar aos tempos de matinê com a festa Vambora! que tá em clima de chocolate.

Quarta 23.04

Feriado, dia de relaxar e provar as delícias do Comida di Buteco. O Baixo Gago, em Laranjeiras oferece carne de sol fatiada com feijão verde acompanhada de farofa amarela e molho especial de ervas finas. Já o Palhinha no Humaitá é possível saborear uma porção de filé aperitivo servido com molho cury e ervas, drumete de frango marinado na cerveja empanado com nozes e ovos de codorna. Pra conhecer os outros participantes é só clicar aqui. O concurso vai até dia 11 de maio!

Pra quem quiser saber mais eventos, é só baixar o app pra iphone do nosso guia, A Carioca!

Muito prazer, Britta

Rio de Janeiro, 16|04|14

Fotos: Juliana Rocha

[Juliana Rocha]

- É, a verdade é que eu devo ser cafona mesmo.

Ela se chama Ingrid Bittar. Na sopa de letrinhas com que explica o nome e a logo da sua marca – Britta, contornada pela forma de um ‘rabbit’- transborda um punhado de afetos indizíveis. E deixo vocês com essa, porque o primordial pra entender o trabalho atual da Britta é, basicamente, o não dito.

Ariana, completando 25 anos nos próximos dias, Ingrid ziguezagueou um pouco entre EBA, Desenho Industrial na PUC e Parque Lage até se delinear definitivamente como artista. O empurrão final coube a um amigo do Plástico Bolha, quando pediu pra ela fazer umas colagens pro jornal. Aí, pra resumir a história, ela achou uma função pra todas as revistas que salvou – é o verbo certo! – desde os 14 anos. Sim, ela resgatou revistas de uma biblioteca em desativação certa vez.

Seus primeiros trabalhos participaram de algumas exposições, como o Festival de Cultura da ESDI, mas ainda sem uma linha de pesquisa bem definida. Com a ajuda dos professores Marcelo Campos e Efrain Almeida, e um processo autoinvestigativo intenso, ela descobriu um tema e uma estética recorrentes em suas criações. E assim, mas não sem labuta, nasceu a série ‘Sobre Silêncio’.

São cenas domésticas dos anos 50-70, imersas numa melancolia densa e, arrisco, numa doce violência. Fugindo do surrealismo gratuito, é possível identificar narrativas silenciosas entre os personagens de faces convertidas em flores, que transbordam o cenário e rebuliçam muitas histórias omitidas entre as gerações que foram um ‘lar’.

Apesar de certa timidez, ela conta orgulhosa que o primeiro da série mereceu um post do Klaus Biesenbach no Instagram, SÓ O, diretor do MoMa PS1. Essa colagem também acabou de sair na Harper’s Bazaar, em meio a outros trabalhos que participaram da 89plus, projeto internacional – foda! – que mapeia a produção artística da geração nascida a partir de 1989.

Numa despretensiosa inquietação em se definir esteticamente, ela concorda com um amigo que, carinhosamente, define seu trabalho como ‘cafona’. Mas, Ingrid, a vida real é uma cafonice só!

‘Sobre Silêncio’ está em exposição na X CASA, um espaço querido, numa vila querida, ali na Gago Coutinho. No próximo sábado, 19, acontece o último evento de uma série de quatro que ela ta organizando. Vamo lá ver?