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RIOetc entrevista Chico Costa

Rio de Janeiro, 22|10|14

[Juliana Rocha]

Francisco Costa é fotógrafo do I Hate Flash e VJ da festa Folkatrua. Dizem que até o ano passado ele trabalhava com psicologia e aos 18 jogava rugby. No dia 19 de abril, seu aniversário de 29 anos, Chico começou uma série de (auto)retratos diários que terminam em 2015, no dia que ele faz 30 aninhos.

Ele é querido por todo mundo com quem já trocou três palavras e tem duas filhas peludas, que atuam como modelos nas horas vagas, Dominga e Segunda.  Aqui uma pequena (rs) entrevista pra você conhecer mais desse ser iluminado e colorido e do seu projeto, o 365:

- Quando e porque você começou a fotografar?

Minha primeira interação com fotografia foi aos 15 ou 14 anos, quando um vizinho fotógrafo me deu uma Pentax, que minha mãe deixou cair no chão (risos). Continuei flertando com a fotografia via cybershot até conhecer o Fernando Schlaepfer numa festa em que ele é dj e eu vj. Daí comecei a ajudá-lo e com minha primeira câmera, uma Nikon D90.

- Como foi essa transição da psicologia pra fotografia?

Gosto muito de acreditar que ela ainda está sendo feita. É uma transição engraçada. Na psicologia fala-se muito em escutar e na fotografia muito em olhar. Acho que ainda escuto para fazer fotos como via para escutar um cliente/paciente.

- Você sempre gostou de fazer autorretratos? Como está sendo a experiência de se fotografar todos os dias?

Nunca gostei muito de me ver e acho que pode ser uma das coisas boas do projeto. Tem duas fotos da apresentação do projeto nas quais não participo – e essas duas me são muito confortáveis. Mas gosto de experimentar o desconforto e o tom narcisista que isso traz. O narcisismo necessário para se tornar a pessoa que nós somos… Aquele pedacinho de “eu”, “meu” que faz toda a diferença. Até mesmo para depois dizer “isso não me cabe mais, vou ser outra coisa”. Logo, a experiência de me fotografar tem sido um ótimo laboratório de mim, num processo similar ao de terapia. Só que tenho mais controle… Seria muito engraçado ter um ato-falho fotográfico (risos).

- De onde surgiu essa sua ideia?

Um dia eu estava conversando com o Fernando e falei que ia fazer, como  uma ótima oportunidade para uma imersão. Ele me levou a sério, as pessoas foram me levando a sério. Ai, com o compromisso social afirmado, tive que fazer.  Comecei no meu aniversário pra terminar um dia antes de eu completar meus 30 anos. Achei fofo. Mas a culpa é do Fernando.

- Onde você busca inspiração pra compor as imagens? Você consegue identificar de onde vem tuas referências pras fotos? Algum fotógrafo em especial que te inspire?

A partir do momento que eu entendi o que tava fazendo (que tem pouco tempo), comecei a buscar referências dentro das pessoas que me são referencias. Nesse sentido, o Flickr tem sido uma ferramenta muito boa. Às vezes eu chego no lugar e sei o que eu quero. Às vezes eu chego no lugar e não sei o que eu quero. Às vezes eu não chego a lugar nenhum e não sei o que eu quero. Muitas das referências vem de uma experimentação dupla, fotografar/ser fotografado. Como dois operando em um. ‘Pari’ uma quantidade de Chicos para me fazerem companhia nas fotos e no processo. Muito vem de uma vivência, seja com meu antigo trabalho com a loucura, crianças, idosos, quanto do meu atual trabalho como fotógrafo.

Kyle Thompson é minha grande inspiração. Benoit Paille que tem um trabalho de manipulação bem brutal e muito maneiro (queria escrever foda). Os novinhos do flickr também são bem bacanas, tenho um pouco de inveja deles. O próprio Fernando Schlaepfer e todos meus companheiros de I Hate Flash, que tem me aguentado e me ajudado bastante… E admiro muito o trabalho da fotógrafa/artista/amada Tomie Kawakami Savaget!!

- Alguma coisa te surpreendeu até agora? E/ou te frustrou?! !

Quando fomos fazer a foto que jogaram tinta em mim, Filipe Marques (fotografo/IHF/Amigo) ia disparar a câmera pra mim e eu disse pra ele brincando “todo acaso será bem-vindo”. Tentamos primeiro com as pessoas jogando balões em mim, não deu certo. Tentamos de novo e nada. Ai eu decidi que colocaríamos a tinta num balde com agua e que eles jogariam em mim junto com alguns balões do alto da passarela. A tinta caiu na minha frente. Ou seja, nada deu certo e mesmo assim é uma linda foto. Toda sua construção não foi controlada, mas tivemos um resultado final muito proveitoso. Desde então penso muito na questão do acaso e das suas possibilidades serem mais um dos agentes, mais uma das variáveis. Uma outra coisa que me surpreendeu foi a reação das pessoas,  ver como o projeto tem um certo impacto (pequeno) na vida de cada um. Isso me deixa muito feliz. As frustrações são as de sempre, achar que sempre poderia ser melhor, sempre poderia ser diferente… Mas de alguma maneira, se acreditamos em processos, estamos vivendo-o e, de alguma maneira, isso faz parte.

- É de certa forma uma maratona de autoconhecimento… Como isso tá sendo pra você? Consegue não se autoanalisar nesse processo? E como fica a autocrítica?

Autocritica sempre em alta. Tento parecer bacana em relação a isso, mas não consigo. Ao mesmo tempo sofro de uma preguiça extrema. Fico como um pêndulo entre essas duas posições. Viu que eu comecei a responder pelo fim pra tentar pular algo, né? Freud disse que autoanalise não existe, precisa-se de um outro elemento que não seja (completamente, pelo menos) tendencioso. Acho que é mais uma expressão do que uma analise. É claro que pra mim e pra alguns dos meus companheiros de categoria é uma forma de me ver de várias formas e de me mostrar de várias formas. Mas isso tem sido muito interessante e proveitoso.

- Algum projeto na manga?

Atualmente estou me desdobrando em alguns projetos além do 365, que são: a produção de cartões-postais, um zine sobre gatos e um programa de entrevistas. Não sei como estou conseguindo, mas tá rolando e espero que deem os frutos que espero. Fora isso, o projeto mais urgente é dia 2 de novembro, quando vou produzir a foto 200 e convidei quem quiser participar a ir com uma flor às 15h na Rua Primeiro de Março.

Gostaria de agradecer pelo espaço e interesse no meu trabalho, gostaria de agradecer as pessoas que me aturam falando disso desde que comecei, em especial meus amigos já citados e todos os outros que não falei.

<3

Fotos: Juliana Rocha

Se especializando

Rio de Janeiro, 22|10|14

Marina Machado esteve no Arte Core neste final de semana. Ela estuda Moda no Senai e, após alguns trabalhos, decidiu se especializar em sportswear. A propósito: já viu que falamos sobre isso no 2º episódio da websérie Moda de Rua, feita por nós em parceria com a Plano Geral Filmes para o site do GNT?

Fotos: Juliana Rocha

Pedalando

Rio de Janeiro, 22|10|14

Matheus Shalom é courier e pedala entre o Centro e a Zona Sul. Recentemente, a empresa em que trabalha fechou um contrato com a Reserva, e agora ele faz entregas pela região.
Fora do trabalho, Matheus é um menino caseiro. Gosta de games e assistir séries. Sua série preferida é Breaking Bad, e até a homenageou com uma tatuagem.

Fotos: Bruno Machado